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Confira a entrevista com o artista gráfico Rafo Castro



Fonte: www.zupi.com.br

Há alguns anos diversos artistas do graffiti migram para o mundo da tattoo, não sabe-se se pela oportunidade financeira ou pela popularidade do graffiti, para entender sobre esse assunto, resolvemos conversar com um gigante da arte urbana brasileira, Rafo Castro. Vamos lá!
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Antes de tudo. Por que tatuagem?
Querido amigo Kjá, minha relação com a tatuagem tem bastante tempo, desde os 13/14 anos, quando comecei a ouvir bandas punk e metal, andar de skate e ir a shows… Sabe?! Essas coisas que mudam a cabeça da gente. Acho que você bem sabe como funciona. Voltado a estética tattoo, do metal e do skate, que misturava isso tudo, estava tendo contato com aquilo tudo. Fascina um moleque ver as capas de disco com desenhos fodas e o skate com todos os desenho, estava conhecendo e fazendo parte do meu dia-a-dia. Só fui ter minha primeira tatuagem depois de velho, com uns 26 anos, foi um tatu e, desde então, coleciono desenhos.
Uma coisa que acredito é: quando penso em tatuagens no meu corpo, não precisa ter sentido. Esse lance de fazer uma brincadeira com a ausência de sentido ou a brincadeira de usar a pele como um suporte como um outro qualquer. Um exemplo, foi a minha primeira tattoo, que  foi um desenho meu, um tatu, que em volta dele tem um picote com uma tesourinha para ser recortado. A minha ideia é fazer a canela toda como um pôster de revista de criança, onde todos os personagens tem um picote ao redor, como aqueles pôsters para a criançada recortar e recriar o cenário, como aquela capa do LP arca de Noé, do Tom e Vinícus.
Então, a minha relação com a tatuagem é um pouco também do “Por que a pele é muito diferente de um outro suporte?”. Quando se faz um livro e imprime, por exemplo, produz uma tiragem grande, pra mim a obra esta lá e não pode ser mudada também. Essa relação com a pele é muito louca “Tatuagem é pra vida toda”. Eu sempre achei que sim, mas hoje em dia nem tanto. rs

Porque agora?
Antonio Saba, meu mestre, depois de varias tattoos e pedidos de pessoas para tatuar os meus desenhos, falou para mim “Por que você não tatua suas coisas logo?” Disse que aceitaria se ele fosse meu mestre e me desse aulas… E foi assim… Como um desafio.

Onde você atua?
Hoje tatuo 2 a 3 vezes por semana no Full House Custom tattoo, que é o estudio do Daniel Rezende, na Tijuca, no Rio de Janeiro, e sempre que posso tatuo nos eventos que sou convidado no Rio e fora também, pois pois trabalho como diretor de arte  em um escritório no horário comercial além de fazer meus trabalhos de pintura.
Como estou nessa área há pouco tempo, ainda não participei de muitos mas ter sido chamado para o Flash Day Tattoo no festival Bananada, em Goiania, e para o Visiva no Estudio Teix, em Curitiba, foi demais. Agora, no começo de janeiro, estou voltando para lá ficar 3 dias tatuando na terra do Pinhão.
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Como são as parcerias com os estúdios? 
A parceria com os estúdios são sempre muito tranquilas, a maioria eu já conhecia ou pela tattoo ou já fazia trabalhos em conjunto. No caso especifico da Teix, em Curitiba, já havia exibido a minha exposição “Risco” em 2014, então a relação também é muito proxima. A maioria das pessoas/estúdios que me convidam já conhecem o meu trabalho como artista plástico.

Você me contou no ARTE CORE que só tatua seu traço e seus personas. Alguém já te pediu algo que foi contra essa sua linha? Como foi?
Sempre pedem, mas sempre explico que é a extensão do meu trabalho artístico. A conversa sempre rola e sempre chegamos a um acordo, pelo menos por enquanto. Acho importante fazer algo mais puro e livre.
Confesso que, algumas vezes, na conversa contando a história do desenho, surgem ideias em comum e isso é também uma forma interessante de trabalhar, mas são muito raras essas vezes….rs

Qual a maior diferença em relação entre pele x muro?
Pele e muro são bem diferentes, mas o que me encanta é a similaridade, ambas são suportes vivos, sofrem ação do tempo, da história, convivem nos mais variados ambientes.
Trabalhar na pele há uma troca com o suporte propriamente dito. A pessoa que esta lá com você na hora, está sentindo na hora, construindo em conjunto, e o seu trabalho, na maioria das vezes, tem um significado muito emocional para ela, além de ser um trabalho que vai “sair andando por ai” e tendo sua “vida própria”.
No muro a troca é com o ambiente em que esta colocado o muro: as pessoas, o som da rua. Há o desgaste do trabalho pela ação do tempo, nesse caso acho muito próximo da tatuagem, essa semelhança de o trabalho ter sua vez é legal, tipo, deixar o filho pro mundo.
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Você acredita que sua vertente está influenciando a sua Arte Urbana? Se sim, como?
Acredito, mas não acredito que esteja me influenciando na arte urbana. Acredito que está me influenciando como artista, acho que o que eu faço não é urbano, está na rua como está no papel, como está no computador e agora está na pele também, esse também é bem importante. Entende? Mais um suporte. Tatuar agora, está sim influenciando o meu desenho, a forma de pensar desenho, a forma de pensar em relação ao traço, a tinta, a velocidade do traço e a relação com a máquina,  isso tudo como um novo aprendizado, quase tão, se não mais, mágico do que usar o um spray e o fat cap, repensar o que faz se adequar, ver as possibilidades e ser aberto a essas mudanças.

Pretende tatuar até quando?  
Não sei. Me falaram uma vez “Depois que vc começar a usar spray nunca mais vais colar cartazes (lambe-lambe) na rua”. Comecei a usar spray e, ao mesmo tempo, aumentei o tamanho dos meus cartazes, vou adaptando e fazendo. Tento me organizar dentro dessas histórias todas. Acho que pra mim só funciona em conjunto, uma coisa depende da outra.
De verdade, Não sei. Sei que estou me divertindo com essa experimentação e aprendendo muito e, o mais importante trocando, experiências com as pessoas que venho conhecendo e aprendendo sempre. Isso é o que mais importa. Cada dia é um dia de aprendizado. Revistar a ilustração, conhecer a história da tatuagem, conversar com os mestres e coletar experiências é muito bom, posso te dizer que esta somando muito para mim.

De uma maneira geral, como você vê essa migração dos grafiteiros para a tattoo? Está relacionado ao momento de crise financeira brasileira, ou é mais um modismo?
Essa é uma pergunta bem difícil de se responder. Cada um tem a sua história e cada um tem o seu porquê, né!? Trabalhar com arte no Brasil não é facil, sao vários meios e várias formas, nós sempre conversamos sobre isso e cada um faz uma escolha.
Vejo que podem ser as duas coisas. A tatuagem no Brasil ficou bem popularizada, então, acho que varias pessoas a veem como uma saída financeira, e tem ainda o glamour também. Temos programas de tv sobre tattoo… E acho ótima essa popularização. É um misto das duas coisas. Como rolou no design, no graffiti… As pessoas glamourizam muito.
Mas sem esquecem que: tem de se trabalhar muito. estudar muito, pesquisar muito e respeitar a história que está ai, sendo contada por muito tempo. Não é?
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Leia mais em: http://www.zupi.com.br/confira-a-entrevista-com-grafiteiro-tatuador-rafo-castro/
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